Art. 225 da Constituição brasileira de 1988

"Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações"

21.2.11

Porcaria Hi-Tec


Em 2010 a ONU divulgou um relatório alarmante para o Brasil: somos o país que mais gera lixo eletrônico per capta entre os emergentes. Como a China tem uma população superior, os números per capta são inferiores. Nos números absolutos, o Brasil só perde para o gigante asiático, no que diz respeito a descarte de geladeiras, celulares, TVs e impressoras.

No mundo, 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico são gerados por ano. Só no Brasil são 96,8 mil toneladas. Foi baseado nessa óbvia necessidade de reutilização e reciclagem que o Governo Federal implantou a lei que obriga as empresas de produtos eletrônicos a receberem de volta os aparelhos obsoletos descartados por seus consumidores.

Nesse momento torna-se extremamente necessário que a população se conscientize do problema e encaminhe seu lixo eletrônico ao destino certo. Além disso, a divulgação é muito importante, para que tais informações cheguem ao maior número de pessoas possível. Como ainda não há um projeto de divulgação dessas medidas, é importante que cada um de nós faça a sua parte, tanto no descarte quanto na disseminação dessas informações.

Essa semana o programa “Cidades e Soluções” do canal Globo News expôs o problema de forma inteligente e disponibilizando soluções. Particularmente recomendo esse programa, por tratar dos assuntos ambientais de forma prática e atual, expondo soluções dos governos e das empresas, mostrando possibilidades para o consumidor, divulgando iniciativas de ONG’s e instituições de outros países. Ou seja, ele tem um papel muito importante na conscientização da população que pode acessar os programas na íntegra também pela internet (para aqueles que possuem serviço de TV por assinatura podem assistir ao vivo aos domingos à noite, ou reprises).
Dentre as possibilidades apontadas por ele essa semana, o site E-Lixo foi apontado como canal de extrema importância. Nele podemos acessar todos os pontos de coleta de recicláveis da cidade de São Paulo, inclusive dos lixos eletrônicos, indicando ainda aqueles mais próximos da sua residência.

Não podemos nos esquecer que a obsolescência de certos aparelhos é absolutamente planejada. A necessidade do lucro encoraja as empresas a produzirem reduzindo a qualidade, fazendo com que o consumidor volte às lojas em tempo recorde. Por isso devemos adotar a prática da pesquisa e do investimento, calculando na compra o tempo de duração do aparelho. Também a obsolescência perceptiva nos desvia o olhar do que realmente precisamos. Isso quer dizer: tendências da moda nos fazem comprar novos eletrônicos (e muitas coisas mais) bem antes do tempo de realmente precisarmos daquele produto novamente.*

Concluo fazendo um apelo para que, em primeiro lugar, se consuma com consciência e real necessidade e também que se dê o destino certo a cada tipo de lixo, principalmente os eletrônicos, que possuem química complexa e tóxica, muitas vezes gases CFC que aumentam não só o Efeito Estufa, mas também os buracos na Camada de Ozônio, além de espumas regadas com ácidos prejudiciais à saúde. Se o problema era saber como e onde, agora ele foi solucionado. Acesse o site http://www.e-lixo.org/ e consulte os postos de coleta mais perto da sua casa. Para ver o programa “Cidades e Soluções” pela internet, acesse o link no site da Globo News.

Lembre-se também que algumas iniciativas necessitam de divulgação até para permanecerem no país. Certos investimentos tecnológicos são provenientes de países estrangeiros, principalmente europeus. Faça sua parte! Divulgue essas iniciativas e viabilize a coleta e a reciclagem de todos os tipos de resíduos no país. Use seus aparelhos eletrônicos para esse fim antes de descartá-los!


*ver vídeo “História das Coisas” postado anteriormente no blog


Luciana Sonck

31.1.11

Reciclar mais que objetos: reciclar idéias













As imagens acima mostram um pouco do que podemos fazer para reutilizarmos os materiais que não queremos mais. O Projeto225 produz suas camisetas e bloquinhos apenas com materiais que iriam ser descartados. As camisetas, por exemplo, são aquelas que estavam abandonadas, de lado, por estarem velhas ou manchadas. O que fazemos é pintá-las manualmente, dando um acabamento novo e uma utilização também nova: para o trabalho voluntário dentro do projeto.
Os bloquinhos de papel são produzidos com caixas de papelão, restos de papeis que já foram utilizados de um dos lados (provenientes das copiadoras da PUC-SP, que ainda não reciclam seu descarte), cordões velhos e pintura manual ou colagem. No caso dos bloquinhos em destaque nas fotos, as imagens da capa foram coletadas de agendas antigas que sempre possuem imagens ou versos interessantes. Para que nunca soube o que fazer com suas agendas antigas, aí está um ótimo exemplo de reutilização! Faça o seu também!

19.1.11

Diversão e sustentabilidade

O que fazer com as roupas que não queremos mais? A melhor alternativa é sempre doá-las para a caridade. Um gesto como esse não é apenas solidário e generoso, mas entra na categoria das ações ecologicamente corretas. Isso se dá porque aquelas pessoas que ganharem as roupas doadas não precisarão gastar dinheiro comprando e incentivando a produção de roupas novas. Alguns dirão que isso tudo é ruim para o mercado, para a economia, mas não é. Afinal de contas, as pessoas necessitadas não são os clientes em potencial de nenhuma indústria de roupas (deveriam, pois assim produziriam roupas de baixo curto e boa qualidade para que durassem mais).

Outra opção interessante é montar um bazar. O mercado de brechó cresceu em status nos últimos anos, com a incorporação de peças estilo “old school” às tendências da moda. Assim, mesmo as roupas antigas da sua avó podem ser reaproveitadas em um look completamente atual. Nesse sentido, montar seu próprio bazar com roupas coletadas das amigas, dos familiares, além de sustentável, é um bom negócio. Faça uma divulgação interessante, chame uma amiga cozinheira para montar uma barraca de lanches e seu bazar será um lugar divertido para ser visitado. A questão ambiental envolvida nesse processo é claramente a reciclagem ou reutilização das roupas. Isso garante que não se produza mais lixo, que o que ainda estiver bom será utilizado (mesmo que em um contexto completamente diferente) e que as pessoas não precisarão gastar mais dinheiro e recursos naturais para ter uma roupa nova. Além disso, você estará disseminando uma prática sustentável, servindo de exemplo para as pessoas do seu convívio.
A terceira opção (e aqui utilizarei um exemplo pessoal que achei muito interessante) seria a troca de roupas. A idéia envolvida é gerar uma circulação de roupas, ou seja, um círculo, em oposição a uma cadeia linear (produção, consumo, descarte). Reunir as amigas para trocarem de roupas chega a ser inclusive divertido, pois todos tem uma certa “tendência” a querer saber o que é melhor para o outro. Desta forma, cada uma com sua pilha de roupas que não quer mais (por várias razões como não servir mais, estar cansada de usá-la, ser um presente de alguém que você não gosta mais, enfim), é possível realizar uma troca que se mostra a melhor opção ambiental das três e eu explico o porquê.

Essa alternativa é interessante tanto por não gerar descarte quanto por não incluir o consumo de nenhuma das partes. As outras duas opções, por possuírem um modelo linear de movimento, exigem em algum ponto que se vá às compras novamente, afinal, só um dos lados está dando e o outro recebendo. Apesar de que o dinheiro gasto pela pessoa do bazar seria um dinheiro gerado por troca sustentável, a única maneira de garantir uma circulação das peças seria comprar suas roupas de outro bazar. Porém não há garantias de que esse exemplo continue. Enfim, o modelo de troca de roupas evita o consumo e não gera descarte por ser um movimento rotacional. Além, é claro, de ser uma boa alternativa para reunir seus amigos e se divertir com as possibilidades de customização. Quem disse que para ser eco é preciso ser chato?

Luciana Sonck

10.1.11

Contra a corrente

Hoje tornou-se corriqueiro o encaminhamento do lixo, tanto industrial como residencial, para aterros sanitários. O problema é que isso não é nem de longe uma solução para os resíduos: o crescente consumo aumenta o volume de lixo em um sistema que não está preparado para isso, algo que podemos verificar facilmente na mídia se interessa-nos estar consciente do processo.

A maioria das grandes empresas do país, percebendo essa tendência, assumiu o compromisso de dar outro destino aos seus descartes: um destino rentável e sustentável. O reaproveitamento do lixo industrial na própria empresa ou a venda desse mesmo lixo para outras empresas que o utilizam como matéria prima é uma ação extremamente importante para que a panela de pressão dos aterros sanitários não exploda.

Baseando-se nessa idéia a J&J lançou uma escova de dentes em 2010 com 40% de plástico reaproveitado dos restos de fraldas e absorventes da própria indústria. A porcentagem é pequena, mas a iniciativa é interessante, para o planeta e para a própria empresa. Assim, seria essencial que todas as empresas buscassem soluções desse tipo, ainda com a possibilidade de aumentar seus rendimentos.

Trazendo o exemplo para o âmbito doméstico, é possível diminuir a quantidade de lixo gerado diariamente com pequenas escolhas e olhar criativo. A desinformação é a principal causa de certos erros considerados banais, mas que somados causam grandes conseqüências. Por outro lado, a aquisição de informação é facilitada a cada dia, tornando-se um problema essencialmente de desinteresse pelos processos de geração e descarte das coisas que consumimos. Permitam-me um alerta: não seja você mais uma pessoa alienada.

Estamos tão acomodados por essa mesma facilidade de acesso à informação que nos esquecemos até mesmo de fazer escolhas. Alguém dirá sempre o que é melhor para nós, a mídia, a novela, a pessoa famosa que admiramos. Mas será que você sabe o que é melhor para você? Em que aspectos das nossas vidas tomamos nossas próprias decisões? Se pararmos para pensar, muitas das escolhas feitas no passado seriam revisadas. Vivemos o “embalo” da moda, das tendências, da tecnologia. Metaforicamente falando: desistimos de nadar e resolvemos boiar até que a correnteza nos leve a algum lugar que chamaremos de nosso sem termos escolhido se era isso mesmo o que procurávamos. Além disso, a falta de olhar para o futuro impera. É possível dizer que vivemos hoje a “engorda do presente”, um presente inflado, grandioso, que nos impede de ver o futuro numa relação causal de nossas ações.

Por isso a importância de fazermos escolhas conscientes e não movidas pela inércia do movimento à nossa volta. O consumo é de sua escolha. Quem passa o cartão, dá o dinheiro ou o cheque é você. Assim, nós somos os únicos culpados pelas nossas ações, pelo nosso lixo, por nosso comodismo. Acabar com a alienação é um processo que deveria começar por cada um de nós, que preferimos ser iludidos sobre a procedência e o destino das nossas coisas e ações num processo de auto-enganação.

Na prática isso significa escolher o que compramos com sabedoria, olhar o padrão de consumo doméstico que adquirimos, não esquecer o processo industrial e de descarte de tudo que compramos e principalmente: escolher o destino de nosso lixo. De todas as ações citadas a mais executada por todos nós é levar algo para o lixo. Porém isso é feito com extrema repugnância e desejo de livrarmo-nos rapidamente do empecilho. Como verificamos anteriormente, as próprias empresas brasileiras estão revendo essa idéia na busca do lucro. Por que não tornarmos essa uma característica também do povo?

Olhe para o seu lixo. O que pode ser reutilizado, reciclado? São três destinos completamente diferentes: ressignificação do objeto, ou seja, dar a ele outra função antes de descartá-lo (e isso pode ser com ou sem alterações manuais – ex. artesanato); enviar para reciclagem, onde outros farão as escolhas; jogar no lixo, acumulando toneladas e toneladas em aterros sanitários mal fiscalizados, à mercê do tempo de deteriorização dos materiais ou das pessoas que em condições de extrema miséria, vivem do perigo de adentrar o lixo em busca de alimentos ou objetos.
Mude em 2011: deixe o barco da inércia bater contra as pedras sozinho e reflita sobre seu grau de alienação. A consciencia é sempre melhor do que a auto-enganação.

Luciana Sonck

5.9.10

Divulgação

Para nossos seguidores ajudarem na divulgação do projeto, basta imprimirem esse texto e espalharem em suas instituições de ensino, empresas, lojas, bibliotecas etc. Também podem enviar por email para seus amigos!

Quem somos?
Somos um projeto para disseminar a conscientização ambiental na sociedade brasileira. Formado por estudantes da PUC, o projeto atua em três áreas principais: escolas, casas e eventos culturais.

Como fazemos?
Atuamos com palestras, eventos, oficinas práticas; para educadores, crianças, estudantes de todas as idades, população carente etc. Temos a flexibilidade a nosso favor, no sentido de que qualquer público é interessante e que as atividades são planejadas para cada público especificamente.

Como você pode contribuir?
- Una-se ao projeto: sempre precisamos de mais gente para trabalhar na criação e aplicação de nossas atividades. Se você tem interesse na área ambiental, disponibilidade para trabalhar voluntariamente, idéias criativas e vontade de melhorar o sistema extremamente consumista que vivemos hoje, nos contate!

- Seja um voluntário esporádico: uma das áreas de atuação do projeto é a visitação domiciliar. Para isso precisamos sempre de voluntários dispostos a ajudar. Esse segmento específico permite que cada voluntário trabalhe apenas no seu bairro, facilitando a possibilidade de contribuição. Assim, nos mande um e-mail para sabermos de seu interesse, seu bairro e sua disponibilidade para participar do curso de formação de voluntariado.

- Indique: nosso projeto depende muito da propaganda “boca-a-boca”; por isso, se você conhece alguma escola ou grupo de educadores, alguma ONG que atue na área de educação ou na área ambiental, ou mesmo alguma empresa que possa nos apoiar/patrocinar, nos indique, passe o contato para nós, para que possamos iniciar uma relação com esta entidade.

- Acompanhe o blog: leia nossos artigos sobre meio ambiente e política, sobre atuação em casa e na rua, sobre possíveis transformações no seu dia-a-dia!

- Mude seus hábitos: pequenas coisas na nossa rotina podem parecer sem importância, mas somadas às de todo o resto do mundo, podem fazer a diferença, para o bem ou para o mal do planeta. Assim, repense seus hábitos, inclua ações básicas como reciclar seu lixo ou diminuir o consumo de água. Lave suas máquinas sempre com o nível de água apropriado ao peso, ensaboe a louça com a torneira fechada, tome banhos mais curtos, observe se o que está comprando é realmente necessário e qual a sua origem (local e material) entre outras coisas.

Contato
projeto225@gmail.com (Luciana)

5.7.10

Marina

O Projeto225 não é vinculado a nenhum partido político, ou instituição partidária. Porém, querer transformar a sociedade, as pessoas, os maus hábitos não deixa de ser uma atitude política. Agimos dessa forma diariamente sem nos darmos conta, em relação a tudo na vida. Por exemplo, se decidimos que a televisão faz mal aos nossos olhos e à nossa mente e resolvemos nunca mais assisti-la, isso é uma atitude política, assim como separar o seu lixo para reciclagem. Resumidamente, não é possível negar o fato de que somos seres políticos e agimos de tal forma independentemente de partidarismo.
Nesse sentido, gostaria de destacar uma pessoa que luta pela transformação que tanto queremos, a candidata à presidência da República, Marina Silva. Por mais que muitos a considerem idealista ou utopista, seria hipocrisia da nossa parte (projeto225) concordar com tais afirmações, já que partilhamos de suas idéias de desenvolvimento sustentável. Além disso, toda sua campanha é embasada na questão da sustentabilidade urgente, na ativação de setores menosprezados (como energias renováveis e agricultura familiar), sem limitar o crescimento econômico e social do país. Até suas emissões durante a campanha serão contabilizadas e convertidas em reflorestamento de diversos biomas brasileiros.
O preconceito, é claro, prepondera em certos casos. O fato de ser uma mulher, por exemplo, já elimina uma porcentagem grande de pessoas que poderiam apoiá-la, não só na eleição, com seus votos, mas na construção de suas idéias para o país. Mas não é essa a discussão desse artigo. A questão que apresento aqui é a sua força em mostrar que suas idéias são viáveis e nos elevariam a um patamar exemplar em relação a outros países do mundo. Acredito que todos devam se unir nessa conscientização planetária, mas sou realista para ver que em alguns lugares há mais dificuldade em aceitar do que em outros; aceitar essas idéias e fazer algo a respeito. O Brasil não. Ele já é evidentemente um dos mais capazes dessa transformação, tanto em termos práticos (por exemplo a possibilidade de diversificação das fontes de energia), como em termos intelectuais, com a ampliação dos engajados pelo movimento verde, entre eles artistas, políticos, cientistas e sociólogos.
A luta de Marina é a nossa luta. É a luta de muitas ONGs e instituições. É a luta de muitos professores e de muitas famílias. É a luta do Projeto225.
O mundo que queremos só poderá ser construído a partir do interesse e da ação prática de dois segmentos: público e privado. Nada pode ser cobrado do governo se não é amplamente praticado pela sociedade civil. O governo trabalha pelo que o povo quer (e aqui falo de maneira teórica, pois conhecemos bem o passado da prática política brasileira) e se nós manifestarmos o interesse em uma economia sustentável, será por isso que ele irá trabalhar.
Assim, termino encorajando a todos a manifestarem publicamente, e privadamente, seu interesse por um mundo sustentável, que respeite o planeta e não deixe de pensar em nosso bem estar. Praticar seus ideais em casa é o primeiro passo para toda essa transformação social que buscamos e divulgar as suas idéias, colocá-las para as pessoas próximas (ou distantes, dependendo de seu envolvimento com a causa), praticá-las no seu posicionamento político é fundamental. Não deixem de cobrar daqueles em que votou, nosso ideal é comum, a luta é uma só.
Recomendo para os interessados a visita ao site da candidata (
www.minhamarina.org.br) e a leitura das diretrizes do seu programa de governo. Isso possibilitará o debate de suas idéias com conhecimento prévio, pois muitos falam sem tê-lo. O texto “Convocação”, escrito pela candidata e disponível no site, também é amplamente recomendável.
Luciana Sonck

22.5.10

Pré-ssagio

O vazamento de óleo no Golfo do México, com início em 20 de abril e de responsabilidade da empresa British Petroleum, provou-se maior do que se imaginava. Em uma matéria do Estadão de hoje pode-se ler que através de uma câmera subaquática o governo Obama detectou uma falha técnica da BP: o fato de que a empresa declarou um vazamento possivelmente 10 vezes menor do que o real, exigindo assim que esta faça um processo transparente para toda a população americana.
Um caso como esse é prejuízo para toda a humanidade, não só para os americanos, pois mais de 600 espécies foram colocadas em risco, fora os mais de 200 animais mortos encontrados até agora. Assim, o governo americano está certo em exigir transparência, mas o mundo todo também deve. Exigir não apenas transparência, mas agilidade e eficiência no processo de recuperação de um vazamento que não foi o primeiro e nem será o último, para a tristeza do grande planeta azul.
Não posso deixar de relacionar um problema tão grave com a grande descoberta de reservas no pré-sal que a Petrobrás está rapidamente tentando explorar. Há aí um interesse muito mais político do que qualquer outra coisa. A candidata à presidência pelo PT, nossa ex-ministra Dilma, está lidando com essa questão com tanta rapidez, afim de obter vantagens eleitorais, que não percebe que "a pressa é inimiga da perfeição".
Devemos tomar mais esse vazamento histórico como um alerta, uma chance de revermos certas prioridades. Penso que é extremamente irracional, no ano de 2010, depois de todo um processo histórico e batalhas por investimentos sustentáveis e recuperações ambientais voltarmos a investir em uma fonte de energia tão poluente quanto o petróleo como se ainda estivéssemos na déc. de 50.
No site oficial da Petrobrás encontramos dados como "Só o Plano de Renovação de Barcos de Apoio, lançado em maio de 2008, prevê a construção de 146 novas embarcações, com a exigência de 70% a 80% de conteúdo nacional, a um custo total orçado em US$ 5 bilhões." É claro que para uma afirmação como essa é preciso completar que esse investimento gerará 500 novos empregos no setor. Mas, "500 novos empregos diretos" são realmente significativos em um país com alto índice de desemprego? E 5 bilhões de dólares investidos em outros setores não gerariam mais empregos e renda?
Investir em um projeto como esse exige no mínimo um planejamento amplamente discutido, o que não é a mesma coisa que agilizar os processos de licitações para obter os créditos antes da eleição. Será que podemos dormir tranqüilos sabendo que não sofreremos uma catástrofe natural assim como o vazamento do Golfo do México?
Os danos seriam certamente maiores, pois não havendo a proteção de uma baía como lá, seria um vazamento em mar aberto, impossibilitando uma recuperação eficiente do petróleo despejado. Com o tamanho da área de exploração do pré-sal, mais espécies seriam atingidas, mais incontrolável seria a devastação.
Em compensação, o Brasil possui um potencial de exploração da energia solar maravilhoso, além de recentes descobertas de um tipo de tecnologia mais barata, realizadas pelos alunos de física da PUC-RS. Por que não investir 5 bilhões de dólares nessa iniciativa? Por que ninguém se preocupa em comparar os benefícios, levando em conta os danos e os riscos? Digo isso porque não temos o costume de pagar por nossos danos ambientais. Alguma reação tivemos no aumento do preço da água (alguém notou?), mas não incorporamos os valores da destruição do planeta nos combustíveis, nos cosméticos, nos produtos derivados do petróleo etc.
Não tenho dúvidas que se isso tudo fosse contabilizado, uma energia limpa seria muito mais negócio que uma poluente.
Devemos nos manter informados e nos utilizar de todos os meios possíveis para conscientizar aqueles ao nosso redor. Discutir questões como essa em escolas, universidades, no trabalho, com nossos filhos, para que juntos pensemos em soluções melhores e criemos opiniões realmente conscientes à respeito das questões ambientais.

Luciana Lira